Comercial de funerária portuguesa traz a morte como celebração de vida

O título até pode soar paradoxal, mas convenhamos reconhecer: a morte e a vida são dois paradoxos demasiado curiosos. A morte retratada no comercial de uma funerária de Portugal veiculada em 2014, embora antiga desde a publicação, pode ser trazida sempre que conveniente para uma discussão reflexiva.

No vídeo de 01 minuto e 06 segundos, a morte é mais que uma passagem de caminho breve pela vida, mas uma serenata de encontros e desencontros com a tristeza e a felicidade. Tristeza, pela partida, felicidade, pelo o que ficou: as memórias, as boas e recordáveis memórias.

A morte é uma festa da vida, um filme de celebração.

No poema de Mario Sá-Carneiro, a um morto nada se recusa.  Nem mesmo uma homenagem. Não palavras de quem foi e deixou lembranças de lágrimas silenciosas, mas, como o próprio cortejo de Sá-Carneiro retrata: que batam latas, que tragam acrobatas e deem pinotes.

O vídeo é ao mesmo tempo alegre sem faltar com o respeito que a morte merece. Veja-o!

“Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza…
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.”

Mario Sá-Carneiro

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